Maternidade no mercado de trabalho: desafios, saúde mental e o papel das empresas
Em maio, celebramos o Dia das Mães, uma data que reverencia o amor incondicional e a força feminina. É também um momento de reflexão profunda sobre a realidade multifacetada da mulher moderna, que, como mãe, filha, amiga, esposa e profissional, assume diversos papéis em sua jornada.
Nesse cenário, a MedSul Saúde — com 25 anos de experiência dedicados à saúde das famílias —, reconhece a importância de abordar os desafios enfrentados pelas mães no mercado de trabalho, especialmente no que diz respeito ao bem-estar e à qualidade de vida emocional. Vamos explorar os desafios da maternidade, os impactos na saúde mental e o papel fundamental que as empresas podem desempenhar para apoiar as mães em suas carreiras e em suas vidas.
Os desafios da maternidade no mercado de trabalho
A maternidade, uma experiência profundamente transformadora e gratificante, traz consigo uma série de desafios que impactam não apenas a vida pessoal, mas também a jornada profissional da mulher. Historicamente, a sociedade atribuiu à figura feminina o papel central de “cuidadora”, reforçando a ideia de que a responsabilidade pelos filhos e pelo lar recai, em grande parte, sobre seus ombros. Essa atribuição sociocultural, enraizada em séculos de história, ainda se manifesta nos dias atuais, mesmo diante da notável ascensão da mulher no mercado de trabalho. O século XXI testemunhou uma mudança significativa, com mulheres conquistando posições de destaque e liderança em diversas áreas. No entanto, essa conquista não veio sem um preço, e a busca por conciliar a vida profissional e familiar se tornou um desafio constante.
A dupla jornada de trabalho é uma realidade para muitas mães, que precisam equilibrar as exigências do emprego com as responsabilidades domésticas e os cuidados com os filhos. Essa sobrecarga pode levar ao esgotamento físico e mental, afetando a saúde e o bem-estar da mulher. Além disso, a ausência de suporte familiar, de políticas empresariais adequadas e de uma rede de apoio social sólida pode aumentar a ansiedade e a pressão sobre as mães, tornando a jornada ainda mais árdua.
A desigualdade de gênero, infelizmente, também contribui para as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho. A discriminação salarial, a falta de oportunidades de crescimento e a dificuldade em conciliar as responsabilidades familiares com a carreira podem gerar insegurança e frustração, limitando seu potencial profissional e pessoal.

O retorno ao trabalho após a licença-maternidade
O retorno ao ambiente profissional após a licença-maternidade marca o início de um novo capítulo na vida da mulher, caracterizado por intensas readaptações e emoções complexas. A separação do bebê, por si só, já representa um desafio significativo, despertando sentimentos como saudade e apreensão. Para muitas mães, um dos momentos mais delicados é a quebra do ciclo da amamentação, tanto do ponto de vista físico quanto emocional.
Além disso, a reintegração à rotina de trabalho, com suas demandas e horários, exige um esforço extra para equilibrar as responsabilidades maternas com as exigências do trabalho. A insegurança em relação à produtividade, o receio de não conseguir corresponder às expectativas e a preocupação com a estabilidade no emprego adicionam camadas de ansiedade a essa transição. A dificuldade em conciliar as múltiplas tarefas, equilibrando a vida profissional, os cuidados com o bebê e as responsabilidades domésticas, pode levar a um sentimento de sobrecarga e exaustão, além de outras preocupações que acompanham as mães nesse período.
É crucial, portanto, que as empresas e a sociedade em geral compreendam a complexidade desse momento e ofereçam um suporte abrangente às mães que retornam ao trabalho. No Brasil, a legislação garante a proteção à maternidade, assegurando a licença-maternidade de 120 dias. Além disso, o Programa Empresa Cidadã permite que empregadores estendam esse período por mais 60 dias, proporcionando um tempo adicional para a mãe se dedicar aos cuidados do bebê. É importante ressaltar que esse benefício engloba tanto as trabalhadoras formais quanto informais, desde que estejam em dia com as contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Contudo, o suporte legal é apenas o ponto de partida. As empresas podem ir além, implementando políticas internas que promovam um ambiente de trabalho mais adaptável e acolhedor para as mães. Horários flexíveis, opções de trabalho remoto e programas de apoio à saúde mental são algumas das iniciativas que podem fazer a diferença nesse período de readaptação.
Ao criar um ambiente de compreensão e apoio, as empresas não apenas contribuem para o bem-estar de suas colaboradoras, mas também fortalecem o vínculo com seus talentos e promovem um ambiente de trabalho mais produtivo e engajador.

O impacto na saúde mental e na autoestima da mulher
A sobrecarga de responsabilidades, a falta de apoio e as pressões decorrentes da conciliação de múltiplos papéis podem fragilizar significativamente a saúde mental das mães, resultando em quadros como estresse, ansiedade, depressão e burnout. Ao mesmo tempo, a autoestima feminina é frequentemente desafiada, especialmente pela expectativa irreal da figura de “mãe perfeita”. A escassez de tempo para o autocuidado e a tendência à comparação e à autocrítica excessiva afetam a confiança, comprometendo o bem-estar geral e o desempenho tanto na vida pessoal quanto profissional.
Diante desse cenário, priorizar ativamente a saúde mental e investir na reconstrução ou fortalecimento da autoestima torna-se uma necessidade, não um luxo. Buscar apoio psicológico profissional é um passo fundamental, pois isso cria um espaço seguro para processar emoções, validar experiências e adquirir ferramentas para navegar pelos desafios.
Igualmente importante é a prática consistente de atividades que promovam o bem-estar e nutram a identidade individual, que vai além do papel de mãe ou profissional. Trata-se de resgatar hobbies, dedicar tempo a si mesma sem culpa e redescobrir fontes de alegria e relaxamento. Cultivar a autoaceitação e a compaixão consigo mesma são passos essenciais para fortalecer a autoimagem e encontrar um equilíbrio mais saudável.

Como reverter esse cenário? Que cuidados as empresas podem ter?
Para promover um ambiente mais acolhedor e justo para as mães, é preciso adotar uma série de medidas em diferentes níveis da sociedade. Em primeiro lugar, é fundamental que as empresas implementem políticas de apoio à maternidade, oferecendo horários flexíveis, opções de trabalho remoto, licença parental estendida e programas de apoio à saúde mental. Além disso, é crucial que se promova uma cultura de apoio e compreensão, na qual as mães se sintam à vontade para compartilhar suas dificuldades e buscar ajuda. No âmbito social, é imprescindível combater a desigualdade de gênero e desconstruir estereótipos que limitam o potencial das mulheres. A sociedade precisa reconhecer e valorizar o trabalho das mães, oferecendo suporte e incentivo para que elas possam conciliar, de maneira equilibrada e saudável, suas vidas profissional e familiar.
Ações que as empresas podem adotar:
- Flexibilidade: oferecer horários adaptáveis e opções de trabalho remoto.
- Acolhimento: criar um ambiente de trabalho no qual as mães se sintam valorizadas e parte integrante da equipe.
- Apoio: oferecer suporte emocional e prático, ajudando-as a encontrar soluções para suas necessidades.
- Desenvolvimento: permitir que as mães desenvolvam projetos compatíveis com sua realidade atual.
- Compreensão: acolher as inseguranças e compreender os desafios da maternidade.
- Amamentação: incentivar pausas para amamentação e criar espaços adequados.
- Comunicação: promover um ambiente de trabalho onde as mães se sintam seguras para expressar suas preocupações.
- Capacitação: oferecer treinamentos e rodas de conversa para otimizar a rotina e manter a produtividade.
Estratégias para apoiar mães na força de trabalho
Um ponto central que ressurge constantemente em discussões sobre pais e cuidadores no mercado de trabalho é a necessidade de flexibilidade e de acesso facilitado a serviços de cuidado infantil de qualidade, essenciais para garantir a plena participação das mães na força de trabalho.
Dados mostram que o custo elevado dos serviços de cuidado infantil impacta diretamente as trajetórias profissionais das mães. Uma pesquisa recente indicou que cerca de 70% delas relatam ter feito concessões significativas em suas carreiras para atender às demandas familiares — sendo que, em metade dos casos, o cuidado dos filhos foi apontado como o principal motivo para esses ajustes. Além disso, a percepção de que o custo dos cuidados infantis representa um fardo financeiro considerável é compartilhada por 72% das mães, reforçando a percepção de que a escassez de opções de creches acessíveis e de qualidade é um dos maiores obstáculos à participação plena dessas mulheres no mercado de trabalho.
A flexibilidade no ambiente de trabalho surge como um fator determinante na decisão das mães de permanecerem ou retornarem ao mercado de trabalho. Um estudo do Annual State of Motherhood Report, feito pela plataforma norte-americana de conteúdo para mães Motherly, apontou que 60% das mães afirmam que seus empregadores não implementaram novas ou adicionais formas de flexibilidade diante dos desafios impostos pela pandemia. Por outro lado, para 46% das mães, acordos de trabalho flexíveis representam o benefício mais valorizado que um empregador pode oferecer. A ausência dessas medidas de flexibilidade, por sua vez, tem um impacto significativo, levando 52% das mães a considerar a possibilidade de abandonar o mercado de trabalho ou reduzir sua carga horária.
Organizações especializadas em desenvolvimento de cuidadores no ambiente profissional frequentemente constatam que seus clientes, em sua maioria mulheres, enfrentam crises complexas, decorrentes de um sistema educacional deficitário, na falta de opções de trabalho flexíveis e em um cenário de crescente insegurança econômica.
É inegável que a solução para esses desafios não deve recair sobre os indivíduos, mas requer uma transformação nas políticas e na cultura das organizações. Líderes empresariais desempenham um papel crucial na promoção de ambientes de trabalho mais inclusivos e receptivos às necessidades das mães, por meio da implementação de medidas que facilitem a conciliação entre vida profissional e familiar e que promovam o bem-estar e a participação plena desses talentos na força de trabalho.

A MedSul Saúde acredita que o cuidado com a saúde emocional e o bem-estar das mães é essencial para construir uma sociedade mais justa e equilibrada. Nossa rede credenciada oferece acesso a profissionais qualificados e serviços especializados em saúde mental, proporcionando suporte integral às mulheres em todas as fases da vida. Incentivamos as mães a priorizar o autocuidado, a buscar ajuda profissional quando necessário e a cultivar um senso de autoaceitação e compaixão. Juntos, podemos construir um futuro em que a maternidade seja celebrada e apoiada — e em que todas as mulheres tenham a oportunidade de realizar seu potencial máximo, tanto na vida pessoal quanto na profissional.
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